segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Letras - Homem por si

Homem por si

As nossas frustrações são o prazer de viver
Apenas pelo desejo de as poder combater
Se fosse pelos desgostos já me teria suicidado
Assim não entendo porque é que muitos não têm cuidado

Homem por si, á pois é…

De viver nesta cidade onde tudo cheira mal
È o “big boss” a chatear e o mal hálito pró final
Se fosse pelos desgostos já me teria suicidado
Assim não entendo porque é que muitos não têm cuidado

Homem por si, á pois é…

Depois de esperas e apertos sento-me e leio o jornal
Sobre mortes e discursos ou uma guerra eventual
Se fosse pelos desgostos já me teria suicidado
Assim não entendo porque é que muitos não têm cuidado

Homem por si, á pois é…

José Roxo

Letras - Rock Maravilhas

Rock Maravilhas


Fui num domingo a Cacilhas
mais o Chico Maravilhas
comer uma caldeirada
a gente não rapa o tacho
mas vai dando pró tabaco
e para regar a salada

E porque isto é mesmo assim
a gente morre e o pilim
não vai para á cova com a gente
e antes gastá-lo no tacho
que na farmácia que eu acho
isto é que é principalmente

Terminada a refeição
ao entrar na embarcação
começou a grande espiga
o Mangas abriu o bico
pôs-se a mandar vir com o Chico
e o Chico arriou a giga

Eu para acalmar a tormenta
ainda disse ao Chico aguenta
mas o Mangas insistiu
e o Chico sem intenção
deu-lhe um ligeiro encontrão
atirou com tipo ao rio

Um sócio de outro tempo
quis-se armar em malandreco
a gente já estava quente
veio para mim desnorteado
eu dei-lhe com penteado
e pulei cuspi-lhe os dentes

Veio outro, dei e bis dei
desarrumei a plateia
mais o trunfo da oficina
e o Chico pelo seu lado
só para não ficar parado
aviou quatro sozinho

Fez-se uma grande molhada
desatou tudo à estalada
eu e o Chico no centro
naquela calamidade
apareceu a autoridade
E meteu-nos todos dentro

Não tem dúvida para isto
que de futuro não insisto
de me meter noutra alhada
nunca mais vou a Cacilhas
mais o Chico Maravilhas
comer outra caldeirada


Adaptado do “Fado Maravilhas - Raul Solnado”

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Letras - Isto até quando

Isto até quando


Outros terão
Um lar, quem sabia amor, paz, um amigo
Mas a inteira negra e fria escuridão está comigo

A outros talvez
Alguma coisa quente igual afim
Mas no mundo real nunca chega a vez para mim

Isto até quando só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando á escuridão
Isto até quando
Só tenho por consolação a escuridão

Que me importa
Digo mas só deus sabe que não o creio
Pois nem um casual mendigo, á minha porta sentar se veio

Quem tem de ser
Não sofre mais do que desconhece
Sofre quem finge desprezar sofrer pois não o esquece

Isto até quando só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando á escuridão
Isto até quando
Só tenho por consolação a escuridão


Fernando Pessoa, 13-1-1920

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Letras: Céu de todos os Invernos

Um início com 4 musicas, duas de Fernando Pessoa uma de Raul Solnado e outra de quem apanhar...

Céu de todos os Invernos


O céu de todos os Invernos
Cobre meu ser todos os Verões
Vai para as profundezas dos Infernos
E deixa em paz meu coração

Por ti meu pensamento é triste
Meu sentimento anda estrangeiro
A tua ideia em mim insiste
Como uma falta de dinheiro

Não posso dominar o meu sonho
Não posso continuar a amar, que hei de fazer
Fico tristonho
Fico tristonho
Mas tristeza algum dia a de acabar…

Bem sei, bem sei a dor de corno
Mas não foi eu quem o chamei
Amar-te causa-me transtorno
Olá que transtorno é que eu não sei…

Não posso dominar o meu sonho
Não posso continuar a amar, que hei de fazer
Fico tristonho
Fico tristonho

Mas tristeza algum dia a de acabar…

Fernando Pessoa

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

1º Ensaio




1º ensaio no dia 04/10/07.


Um novo começo, uma velha ideia...